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Khallyl (filho):

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História

A cidade de Ceará-Mirim, sede do município do mesmo nome, pertenceu originalmente, com todo o seu território, ao município de Extremoz, nascido como Aldeia de Guajiru e depois Vila Nova de Extremoz do Norte. O desmembramento ocorreu em 1858. A cidade festajará os seus 150 anos, portanto, em 2008.

A Aldeia de Guajiru, situada às margens da lagoa de Guajiru ou lagoa de Extremoz, era um centro de resistência que contava com o auxílio de incursões francesas e holandesas, interessadas no comércio de pau-brasil.

As constantes penetrações estrangeiras pelos vales e tabuleiros potiguares assanhavam o gentio, que o colonizador tinha em mira exterminar.

A Companhia de Jesus, então no Brasil, procurou parlamentar pacificamente com os elementos locais estabelecidos na aldeia de Guajiru, resultando no estabelecimento da Freguesia de São Miguel.

A administração jesuítica não agradava ao Reino português. Em 3 de setembro de 1759, D. João, Rei de Portugal, influenciado pelo Marquês de Pombal, assinava a carta Régia que proibia sumariamente a administração dos jesuítas. No dia 3 de maio de 1760, é criada oficialmente a VILA NOVA DE EXTREMOZ DO NORTE, desaparecendo assim, São Miguel de Guajiru.

Em 1800, segundo Júlio Gomes de Senna, o aldeamento indígena era reduto de índios Janduís, Paiacús, Guaranis e Cariris.

Razões econômicas levaram o governo a mudar a sede para a povoação de Boca da Mata, que era também denominada de “SIARA”, situada nos arredores da atual cidade de Ceará Mirim. Alí os índios Janduís formaram a taba, onde nasceu o índio Poti.

Os fundadores de Ceará-Mirim, que deram início ao povoado, foram os comerciantes que aí se estabeleceram, em função dos engenhos, a partir de 1855.

O povoamento originou-se no ponto de cruzamento das estradas que seguiam para o sertão, provenientes de Natal e Extremoz, e das ruas que partiam do povoado da Jacoca e praias do norte, rumo aos engenhos, que já se haviam estabelecido, às margens do rio. Neste ponto construiu-se uma pequena casa comercial, onde foi erguido um cruzeiro (marco do povoado nascente, atualmente guardado na Rua da Cruz), dando lugar ao surgimento de uma feira.

O vale cobriu-se de canaviais, passando a ser sede de rico patriarcado agrícola e industrial.

Mais tarde, outros comerciantes edificaram pequenas casas de comércio, formando um pequeno núcleo comercial. Esse comércio, incrementado pela prosperidade dos engenhos, deu origem a uma das maiores povoações da região. O centro comercial foi se estendendo ao longo das estradas, formando a atual Rua Presidente Café Filho (antiga Rua Grande, depois Rua 18 de agosto).

A cidade preserva ainda hoje grande número de edificações antigas, muitas delas com estilo arquitetônico de influência européia.

A Câmara Municipal de Extremoz realizou sua última sessão no dia 22 de janeiro de 1857. Na Vila de Ceará-Mirim, a primeira reunião municipal foi a 14 de outubro de 1858.

À primeira sessão da Câmara Municipal de Ceará-Mirim, realizada a 14 de outubro de 1858, compareceram os seguintes membros:

• Francisco de Paula Soares da Câmara (Presidente) • Miguel Germano de Oliveira Junqueira • José de Góis de Vasconcelos Borba • Padre João Coelho de Souza • Joaquim Romão Seabra de Melo.

Ceará-Mirim tornou-se um dos primeiros municípios da Província do Estado. Os deputados provinciais Augusto Leopoldo Raposo da Câmara, Pedro Soares de Araújo, Antônio Carlos Fernandes Pimenta e Galdino Procópio do Rêgo, apresentaram, no dia 23 de maio de 1882, um Projeto elevando a Vila ao predicamento de Cidade de Ceará-Mirim. Esse projeto, depois de aprovado, transformou-se na Lei nº 837, de 9 de junho de 1882, dando à Vila o título de Cidade e Distrito sede de município.

A SANTA CRUZ

No início da povoação foi colocado um cruzeiro no cruzamento da rua Grande, depois denominada Av. 18 de agosto, hoje, Av. Presidente Café Filho, com a atual Rua Dr. Manoel Varela. O Cruzeiro foi levantado como símbolo da crença popular a 3 de maio de 1850.

Em 1880, este marco foi removido para a frente da Igreja Matriz. Em 1935, o Sr. Eustáquio Ferreira (Seu Poti), removeu-a para a parte mais alta da cidade na época, a antiga Rua da Cruz, hoje Francisco Sobral.

A festa da “Invenção da Santa Cruz”, como era popularmente conhecida, crescia a cada ano, tendo inclusive, superado a já realizada festa da padroeira. Por esse motivo, o então vigário José Paulino Duarte, “colérico, mal-educado e político” (segundo o Prof. Guilherme Queiroz), não aceitou os festejos vindos da fé popular e, no ano de 1896, retirou-se com a sede da Freguesia (Paróquia) para Taipú, permanecendo até agosto de 1897.

O responsável pelo retorno da Freguesia para Boca da Mata (Ceará-Mirim) foi o Sr. Agapito Dantas.

O fogueteiro Miguel André de Lima, conhecido como “Miguel Gato”, era o responsável pelas festividades da Santa Cruz. Foi vítima de uma explosão em sua oficina na atual praça Monsenhor Celso Cicco, quando faleceu.

Apesar de ter sido uma das festas mais populares do município, hoje não existe mais. Um detalhe interessante é que o Cruzeiro exposto é uma réplica do original, estando este encerrado em um caixilho de madeira ao pé da réplica.

HISTÓRIA RECENTE

O desenvolvimento da cultura e processamento da cana de açúcar repetiu, na região do Ceará Mirim, o mesmo modelo que marcaria a sua evolução no país: expansão até à fase de ouro do chamado “ciclo da cana” dando lugar à criação de grande número de engenhos produtores de “açúcar bruto”, mel de engenho e rapadura.

A essa fase, com o crescimento e estruturação de um mercado interno e as mudanças na tecnologia de produção que iam acontecendo, seguiu-se a agregação dos engenhos para permitir o estabelecimento de unidades de maior tamanho – as usinas – ou a simples eliminação desses engenhos como unidades autônomas. Em sua maior parte foram adquiridos pelas usinas e tiveram as suas terras transformadas em estabelecimentos agrícolas, fornecendo cana para o setor industrial nascente.

Na região de Ceará Mirim, ao final do século XIX, mais de 80 engenhos estavam funcionando. Em meados do século XX, o número de engenhos estava reduzido a meia dúzia, com o simultâneo aparecimento de três usinas – São Francisco, Ilha Bela e Santa Terezinha, esta última de vida muito curta, logo absorvida pela sua vizinha, Ilha Bela.

Como era de prever, a preeminência da atividade agrícola e industrial em torno da cana de açúcar facilitou o aparecimento de lideres políticos com capacidade de ampliar a sua liderança para além da própria região.

Considerando apenas o período iniciado em meados do século XX, Ceará Mirim ofereceu ao Rio Grande do Norte, entre outras personalidades, as seguintes, todas elas, em maior ou menor medida, ligadas à economia da cana de açúcar:

- Ubaldo Bezerra de Melo, agricultor tradicional na região, um dos fundadores da Usina Santa Terezinha, foi Interventor Federal durante a ditadura Vargas, cargo que correspondia ao de Governador do Estado;

- Luiz Lopes Varella, proprietário da Usina São Francisco, foi suplente de Senador eleito em 1954, por indicação do então Vice-Presidente e logo Presidente da República, Café Filho;

- Joaquim Leopoldo da Câmara, filho e neto de proprietários do engenho São Leopoldo, eleito deputado estadual em 1958;

- Roberto Pereira Varella, filho de Luiz Lopes Varella e seu sucessor no comando da Usina São Francisco, que, além de haver exercido a prefeitura de Ceará Mirim em três mandatos, foi por duas vezes deputado estadual, tendo, na condição de Presidente da Assembléia Legislativa, exercido interinamente o governo estadual em 1963, em face da ausência do Governador Aluízio Alves e do Vice-Governador Theodorico Bezerra;

- Geraldo Melo, controlador do grupo empresarial que, no início dos anos 70, adquiriu as Usinas São Francisco e Ilha Bela, fundindo-as e criando a atual Cia. Açucareira Vale do Ceará Mirim. Mesmo não sendo de Ceará Mirim, radicou-se na cidade e na região. Foi Vice-Governador do Estado eleito em 1978, Governador do Rio Grande do Norte, eleito em 1986, e Senador da República eleito em 1994.

Natal, 06 de Fev 2012

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